Falso debate
Um debate entitulado "Responsabilidade e Conteúdo Digital" promovido pelo estadão só pode ser considerado piada. O estadão fez uma campanha furada contrapondo o conteúdo responsável publicado, redigido e editado por profissionais (normalmente, jornalistas recém formados) e os blogs. Alguns se sentiram ofendidos. Talvez pelo fato que estão buscando no mesmo espaço informacional a repercussão das vozes. Um debate esquizofrênico onde um quer ser o outro e o outro quer ser um blogueiro.
Edney Souza, do blog InterNey.net, diz "Quando alguém faz piada de português, o português não acha graça", A apresentação de Edney como um blogueiro que vive de blog há dois anos não acrescenta nada a esse debate. O Edney é um cara legal. Blogueiro desde quando a blogosfera era alegre. Ou, como diz Mr. Manson... o blog moleque, onde a arte da criação era mais importante que os tostões. Edney virou um case. E, talvez por isso tenha uma responsabilidade de se manter como tal. Eu, particularmente, acho que o Edney escolheu o pior dos caminhos pois transformou o interney num mar de publicidade, de adsense e links para o mercado livre.
Não vou nem comentar a afirmação do Carlos Merigo - "Acho saudável a discussão sobre a qualidade da informação" (...) "Mas a campanha reforça o estereótipo de que blog é coisa de adolescente ocioso. Lutamos todo dia para ganhar credibilidade. A mensagem que eu percebi foi: não leiam os blogs, porque o blogueiro é um macaco que só copia informações." - Essa afirmação é completamente datada. A afirmação é contrária, a grande imprensa busca nos blogs uma fonte de inspiração.
O mais engraçado dessa estória é ver o João Levi, da Talent dizer que "Não tem porque não corrigir alguns detalhes da campanha, mas a essência é essa mesma", pois se fosse meu fornecedor de propaganda eu buscaria outro. A talent vendeu a sutileza de um elefante furioso.
Outra afirmação pamonha foi do presidente do Interactive Advertising Bureau Brasil, Osvaldo Barbosa de Oliveira, que disse que existe uma espécie de seleção natural na internet, que, com o tempo, acaba criando a credibilidade. "Se seu conteúdo é ruim, seu blog vai morrer." Cara, você precisa ler um pouco mais. Talvez o Taz, do Hakim Bey pode te trazer alguma luz. Blog convive com a impermanência. Os blogs são criados para morrer. Não existe o objetivo da sobrevivência eterna.
Outra afirmação que se deve ignorar é do professor Gilson Schwartz. Sinceramente, não sei exatamente o que ele fazia no debate. Simpático não é aplacar os macacos raivosos, alias, esse debate de macacos está sendo tema na blogosfera desde a publicação do livro The Cult of the Amateur, de Andrew Keen, que critica a blogosfera e suas raízes amadoras. Creio que esse tema foi a fonte inspiradora do João Levi. Ele, no entanto, mirou o lado errado da estória. A blogosfera emerge. É o poder da multidão ecoando as vozes das pessoas comuns.
Bem, a única manifestação lúcida vem de Pedro Doria, colunista do Estadão: "Falta impacto e relevância na internet brasileira", Ele destacou que, em outros países, a blogosfera é capaz de derrubar integrantes importantes do governo. "Essas coisas ainda não acontecem no Brasil." Pois é, estamos preocupados em fazer da blogosfera um remendo da mídia de massa. O importante não é se bancar como blogueiro. A importância dos blogs está no protagonismo e nas possibilidades que se abrem na criação de projetos pessoais.


Falso debate
Gostei da frase: *Pois é, estamos preocupados em fazer da blogosfera um remendo da mídia de massa*. Tô matutando sobre isso faz tempo, e fico boquiaberto (pra não falar *de saco cheio!*) quando vejo threads sobre *monetização dos blogs*, *probloggers* e o escambau pipocando em listas e mais listas de discussão. Nada mais, nada menos do que a cooptação por parte do sistema, mas isso já tá pra lá de podre e não vai durar.
Já falei algo sobre isso há algum tempinho:
http://www.alfarrabio.org/index.php?itemid=2474
BTW, e la nave va... Românticos e amadores, uni-vos (ou espalhai-vos: gambiarramente, cá de baixo eles não nos vêem mesmo).
:: Paulo Bicarato ::
http://www.alfarrabio.org
Falso debate
Concordo com quase tudo no seu texto. Salvo achar que o debate é piada. A idéia ali, ao meu ver, não era contrapor nada. Era justamente questionar como alcançar a credibilidade e a qualidade da informação no meio digital.
É uma discussão salutar se almejamos aumentar o 'impacto e a relevância' da internet brasileira.
E queria fazer ai uma defesa pública do Schwarcz, que vestiu a túnica de advogado do diabo para fazer uma série de colocações extremamente pesadas e beirando o absurdo na esperança de fazer o debate decolar.
*E* ainda assim, não rolou ninguém para rebater as afirmações com a veemência necessária.
[]'s
Pedro Markun
Falso debate
Pedro, a piada está na armação de um teatro onde se questiona aquilo que não deveria estar em discussão. Gostei do post da Ana Brambilla, o debate deveria estar na falta de ética, na visão de futuro, na incapacidade de enxergar o impacto da emergência das vozes do estadão / talent. Esse era o debate. E, se não houve quem pudesse rebater as afirmações de um advogado do diabo confirma o jogo armado.
[]s
Falso debate
HD, queria convidá-lo a aproveitar o espaço do Metapub no InterNey Blogs e falar qual seria o melhor dos caminhos pra um blog.
É importante deixar claro para quem não está acostumado a me ver nesse espaço, que conheço o HD faz muito tempo e que sou grande fã do seu trabalho desde o marketing hacker. E não me irritei com a observação, ao contrário gostaria de ver o mestre (sem falso puxasaquismo) elucidar outros caminhos.
Acabei escolhendo o caminho do adsense e ml por ser talvez o mais fácil, mas acho que falta um debate maior sobre isso. No Interney Blogs o Marmota puxa esse assunto de vez em quando mas creio que devia ter mais gente puxando esse debate por lá.
Falso debate
Fala Edney, beleza? Eu tb sou eu fã. Sei que criticar é mais fácil do que estar lá e fazer. Eu, particularmente, preferi não entrar com força nesses caminhos da sustentabilidade para o meu blog. Pelo contrário, não tive nenhum pudor em aniquilar o marketinghacker (quando tinha mais de 4500 visitas por dia). Afinal, blog é taz. No entanto, tenho certeza de que o blog marketinghacker me levou para um outro patamar no debate sobre o impacto da internet na sociedade. Posso dizer que os projetos que desenvolvi ou ajudei a desenvolver (marketinghacker, metáfora, mercadohype, buzzine, metareciclagem) são hoje as fontes de sustentabilidade, de inspiração e de criação. Logo, entendo a importância dos projetos pessoais e da linkania. Apenas, não creio que a via do adsense, ML e etc é a melhor forma de replicação. Funcionou para o interney, mas não funfa para todos.
Falso debate
Sim, o blog como uma espécie de meio de reputação para criar um trampolim mercadológico para o blogueiro é outra forma, talvez a que seja mais viável pra muita gente, e falta gente falando disso, por isso reitero o convite, aproveita o espaço do Metapub e fala disso cara, vc tem 1000% de credibilidade pra tocar no assunto. :)
Falso debate
:D
Genial Hernani... Genial.
Perceber e reconhecer estes pontos de vistas diferentes é o que falta ao 'meio'... Tava sentindo falta de ler vc.
Falso debate
Oi Hernani,
Vim até aqui por conta de um link lá no blog do Inagaki.
Sua definição de blog é perfeita! Hoje temos a figura do blog profissa. Blogueiros que entraram na roda viva de ganhar dinehiro a qualquer custo.
Um bom exemplo disso são aqueles blogs que linkam algumas palavras no meio de um texto e quando vc clica cai no Mercado Livre por exemplo. Vários blogueiros fazem isso e sinceramente, acho além de irritante, de uma má fé incrível!
Enfim, acredito que há espaço para todos e assim como podemos trocar de canal qdo algum programa não nos agrada, podemos deixar de ir a esses blogs. É uma questão de mouse ;)
abrs
Andrea Augusto
Falso debate
Hernani, obrigada pelo texto. Compartilho dessa opinião. Gostei de ver expresso o que venho pensando há algum tempo. Agora, volto para o meu blog sossegada.
Falso debate
Pedro, até que enfim alguém entendeu o que eu fazia por lá!
Tenho realmente me divertido às pampas com uma série de comentários na linha raivosos (como que confirmando ou vestindo a carapuça do macaco raivoso).
Quem não percebe uma dimensão de piada, humor ou ironia na vida e nos debates realmente deveria vestir um hábito ou cinto-bomba e se explodir por aí!
Tentei (como você notou, inutilmente) jogar com a polarização para ver se esquentava. Até eu falar, todo mundo ficou se auto-promovendo, aproveitando os 5 minutinhos de maquiagem e luz especial já sabendo que ia rolar MUITA mídia em torno daquilo, ia pra YouTube, etc.
Com relação aos macacos, tentei postar no blog do interney mas parece que não saiu (afinal, não estou no programa de milhagem dele com adsense e outros mecanismos "sustentáveis" com os quais ele, felizmente, está conseguindo pagar as contas). Vejam o debate sobre A Riqueza das Redes no Instituto de Estudos Avançados. Fiquem com menos raiva da USP...leiam o conteúdo que está lá (ok, não são blogs, mas ninguém é perfeito!). No debate que fizemos há poucas semanas, sobre antropologia e cultura nas redes, o Martin Grossman (outro professor da ECA e diretor do Centro Cultural São Paulo) fez uma ótima sacada sobre macacos raivosos e bonobos. Quando eu soltei (mais) essa provocação, achei que alguém ia sair em defesa dos macacos, algo mais lúdico até, mas o debate meio que voltou para a mesmice de cada qual querendo apenas aparecer bonito diante das câmeras.
Nosso amigo Hernani, que conhece os vários lados da moeda e frequenta os bancos escolares dessa assustadora instituição universtiária, sacou muito bem os limites e sabe onde estão as referências especializadas no assunto. Então...tirem as suas conclusões, sobre o papel da universidade, dos blogueiros e da grande imprensa.
Gilson
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